sexta-feira, 25 de junho de 2010

O romance e a realidade

Eu já vi vários filmes de professores atuando em escolas presentes em áreas pobres e de como estes trabalhando praticamente sozinhos com seus alunos conseguem atingir seus objetivos. Hollywood costuma fazer muitas produções deste tipo, parece mesmo ser uma tradição desde um clássico como “Ao mestre com carinho”, passando por uma série de filmes recentes ou nem tanto, sobre como a ação de um herói ou heroína, isolados, acaba sendo bem sucedida. Quando eu estava na universidade eu assisti pelo menos dois filmes do gênero, “Sociedade dos poetas mortos”, com Robin Willians e “Mentes perigosas”, com Michelle Phfeifer (acho que escrevi o nome com a grafia errada). Hollywood tem por hábito pegar temas interessantes e polêmicos e dar-lhes um tratamento romanceado quando os transforma em filmes. O filme de Robin Willians nem tem muito a ver com a realidade em que estou começando a me inserir, pois se trata de uma escola de elite do interior dos Estados Unidos. A realidade do filme fica ainda mais distanciada por este se passar nos anos 1950. Em relação a “Mentes perigosas” as coisas já mudam de figura. O filme se passa numa área pobre dos Estados Unidos. Com certeza existem muitas diferenças no ensino americano em relação ao Brasil; nos meus primeiros anos de UFF eu assisti a palestra de um professor americano onde este chegou a dizer que os prefeitos e governadores não são sequer obrigados a investir em escolas públicas. No entanto a realidade mostrada no filme tem muitos pontos em comum com o que se verifica nas escolas públicas brasileiras. Falta de estrutura, alunos desmotivados e com famílias desestruturadas, presença constante da violência urbana no ambiente escolar, todos os problemas que também enfrentamos. É claro que o final feliz é inevitável, ainda que pontuado por percalços ao longo do filme. O grande problema de filmes como esse é mesmo a romantização da ação do herói, no caso heroína do filme. Trata-se de uma ação individual, uma luta solitária que ela acaba vencendo. É claro que isso não vai acontecer comigo ou com qualquer professor disposto a contribuir para que seus alunos tenham a chance de fazer da educação uma forma de melhorar de vida, mas acima de tudo fazer de si mesmos pessoas melhores. É claro que ninguém vai atingir esse objetivo atuando sozinho, sem apoios, sem aliados, trabalhando com uma direção sem o desejo de oferece algo mais aos alunos, isso vai ser impossível.

Nenhum comentário:

Postar um comentário