terça-feira, 29 de junho de 2010

Uma barreira terrível

Na postagem anterior eu falei sobre uma atividade que pretendo desenvolver com os meus alunos. Trata-se de uma atividade em que pretendo criar algum tipo de identificação entre os alunos e a disciplina de História. No entanto, eu tenho plena consciência de que não basta criar essa identificação diante de alguns tipos de problemas que os alunos enfrentam. Em minhas conversas com uma professora mais antiga no colégio eu soube que a maior dificuldade dela com as suas turmas é que a maioria dos alunos é simplesmente analfabeta. Esse é um problema que infelizmente está se tornando comum no ensino público, pois a formação inicial dos alunos, que é justamente a alfabetização, parece que simplesmente não está funcionando. Eu ainda não sei quando vou “estrear” num conselho de classe, mas fico imaginando se este assunto vai ser discutido lá. Eu pelo menos pretendo que seja, pois essa é uma questão que vai afetar todos os professores mais cedo ou mais tarde, sendo que vai piorar muito se for mais tarde. Ter condições de ler, escrever e interpretar minimamente um texto é fundamental para qualquer matéria, incluindo as de exatas, como uma professora veterana de física já havia me dito. Sem essas condições mínimas como ensinar? É óbvio que o problema inicial está na formação, a questão para mim e meus colegas de escola é saber como lidar com esse problema, agora que “estourou” em nossas mãos. Com certeza esse não vai ser um trabalho para o “Super-Professor” dos filmes que costumamos ver e que são freqüentemente produzidos em Hollywood. Esse vai ter que ser um trabalho conjunto, ou então vamos fracassar.

Identificação e aprendizado.

Ontem eu deveria dar aula, mas devido ao jogo do Brasil vou ficar com o dia de folga, pois a escola onde trabalho só vai funcionar de manhã enquanto eu dou aulas à tarde. Aproveitei para definir um trabalho que pretendo desenvolver com os alunos das quatro turmas com quem trabalho. É um trabalho para ser desenvolvido ao longo dos próximos dois semestres. Uma tentativa de se construir fontes que poderiam servir para contar a história da Comunidade onde eles vivem. Trata-se de uma tentativa minha de criar algum tipo de identificação dos alunos com a disciplina História. Essa identificação viria a partir de uma atividade em que pudesse haver uma aproximação da disciplina ministrada na escola com o cotidiano dos alunos, com sua própria história pessoal. É claro que uma das funções de um professor é passar o conteúdo exigido pela disciplina para os alunos, isso eu vou fazer com certeza, mas também quero muito que esses alunos gostem daquilo que precisam aprender. Acredito mesmo que será muito mais fácil o aprendizado do conteúdo se eu puder criar alguma identificação dos alunos com este. Muitos alunos se perguntam porque aprender certos conteúdos, eu mesmo já me fiz essa pergunta como estudante, mas acho que a questão certa é mesmo tentar entender porque estudamos esses conteúdos, em que sentido aprendê-los poderá definir o futuro de nossas vidas. Conseguir uma resposta convincente aos alunos é o início do caminho para fazer com que eles se identifiquem com a disciplina. A partir daí, creio eu, ficaria bem mais fácil o aprendizado.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O romance e a realidade

Eu já vi vários filmes de professores atuando em escolas presentes em áreas pobres e de como estes trabalhando praticamente sozinhos com seus alunos conseguem atingir seus objetivos. Hollywood costuma fazer muitas produções deste tipo, parece mesmo ser uma tradição desde um clássico como “Ao mestre com carinho”, passando por uma série de filmes recentes ou nem tanto, sobre como a ação de um herói ou heroína, isolados, acaba sendo bem sucedida. Quando eu estava na universidade eu assisti pelo menos dois filmes do gênero, “Sociedade dos poetas mortos”, com Robin Willians e “Mentes perigosas”, com Michelle Phfeifer (acho que escrevi o nome com a grafia errada). Hollywood tem por hábito pegar temas interessantes e polêmicos e dar-lhes um tratamento romanceado quando os transforma em filmes. O filme de Robin Willians nem tem muito a ver com a realidade em que estou começando a me inserir, pois se trata de uma escola de elite do interior dos Estados Unidos. A realidade do filme fica ainda mais distanciada por este se passar nos anos 1950. Em relação a “Mentes perigosas” as coisas já mudam de figura. O filme se passa numa área pobre dos Estados Unidos. Com certeza existem muitas diferenças no ensino americano em relação ao Brasil; nos meus primeiros anos de UFF eu assisti a palestra de um professor americano onde este chegou a dizer que os prefeitos e governadores não são sequer obrigados a investir em escolas públicas. No entanto a realidade mostrada no filme tem muitos pontos em comum com o que se verifica nas escolas públicas brasileiras. Falta de estrutura, alunos desmotivados e com famílias desestruturadas, presença constante da violência urbana no ambiente escolar, todos os problemas que também enfrentamos. É claro que o final feliz é inevitável, ainda que pontuado por percalços ao longo do filme. O grande problema de filmes como esse é mesmo a romantização da ação do herói, no caso heroína do filme. Trata-se de uma ação individual, uma luta solitária que ela acaba vencendo. É claro que isso não vai acontecer comigo ou com qualquer professor disposto a contribuir para que seus alunos tenham a chance de fazer da educação uma forma de melhorar de vida, mas acima de tudo fazer de si mesmos pessoas melhores. É claro que ninguém vai atingir esse objetivo atuando sozinho, sem apoios, sem aliados, trabalhando com uma direção sem o desejo de oferece algo mais aos alunos, isso vai ser impossível.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O professor e seu ambiente

Ser professor hoje em dia é uma responsabilidade que se impõe para pessoas que nem sempre estão preparadas para as dificuldades que o exercício desta profissão exige. As notícias sobre violência nas escolas, seja as que são provocadas pela presença do tráfico nas áreas mais pobres, seja a violência trazida pelos próprios alunos, estes apenas reproduzindo a violência do ambiente em que são criados. Todos esses problemas acabam sendo um grande desafio para quem exerce essa profissão. Em meus primeiros contatos com os professores mais antigos posso constatar um grande desânimo por parte da maioria deles. Muitos parecem ter desistido de tentar qualquer coisa limitando-se a “bater o cartão”. É claro que o ambiente em que atuam tem uma grande influência nesta atitude. Professores que dão aulas em escolas que se encontram num estado muito degradado, não só fisicamente, mas também na falta de atividades e de iniciativas capazes de gerar algum tipo de motivação junto aos alunos, tendem a se deixar vencer pelo ambiente sem esperança onde atuam. Em tão pouco tempo atuando no magistério e eu já tive a oportunidade de ouvir as experiências de professores que se encontram nesta situação, tanto os mais antigos quanto outros com tão pouca experiência quanto eu. Na verdade, é justamente o fato de perceber que um ambiente ruim pode afetar até mesmo alguém que acabou de entrar no magistério que me preocupa quando penso nos desafios dessa profissão. O pouco tempo de convivência na escola onde estou dando aulas tem me causado uma boa impressão. A escola tem um bom ambiente, uma estrutura razoável e uma diretoria que parece realmente preocupada em criar situações que despertem o interesse dos alunos, além de oferecer aos professores as melhores condições possíveis, dentro dos seus parcos recursos, para que possamos dar aos alunos um bom ensino. Em princípio parece ser possível tentar fazer um bom trabalho e contribuir para o futuro dos estudantes, mas só o tempo vai mostrar se essa impressão inicial foi realmente correta.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Discutindo sexualidade na escola

Estou tentando compensar os dois dias em que fiquei sem postar com um segundo comentário hoje. Na escola onde estou dando aula está ocorrendo uma série de atividades sobre sexualidade, são exibições de filmes, palestras e trabalhos que procuramos fazer para que os alunos tenham alguma noção sobre essa questão. A utilização de métodos anti-contraceptivos foi o tema de uma das palestras. Eu acredito que esta é uma discussão importante, mas fico imaginando se é um assunto indicado para jovens de 13 ou 14 anos, principalmente se não tiver o cuidado de ser abordado de modo a não estimular experiências sexuais precoces. É um fato que os jovens de hoje em dia estão expostos a muito mais informações sobre sexo do que os de gerações anteriores, a questão é saber a qualidade dessas informações e como os jovens podem lidar com elas. Pessoalmente tenho a opinião de que não podemos nos iludir confundindo esse acesso a informação com o preparo dos mais jovens para lidar com a questão sexual quando ela se apresenta diante deles. Essa história de garotos e garotas de 12 ou 13 anos já sabem tudo sobre sexo me parece uma visão muito superficial da realidade, jovens dessa idade ou mesmo um pouco mais pensam que sabem, e certamente não tem a maturidade necessária para lidar com as responsabilidades e com os riscos de uma vida sexual ativa. Eu acho muito importante discutir sobre sexo com os jovens, sem excesso de pudores e moralismos, sem essa de sexo é pecado, sem também se prender às regulações sociais de que sexo só depois do casamento, essa é uma opção pessoal, nada além disso. Entretanto, discutir sobre sexo, prevenção contra gravidês precoce, doenças sexualmente transmissíveis e planejamento familiar não deve servir para nos esquivarmos de dialogar com os jovens que começam a descobrir sua sexualidade que sexo é uma responsabilidade para qual eles ainda podem não estar preparados. Pessoalmente não vejo qualquer problema em dizer a meninos e meninas de 13 ou 14 anos que eles devem evitar sexo nesta idade, esperar um pouco mais até adquirirem maior maturidade sexual, que não significa necessariamente experiência com sexo, mais experiências de vida, enfim, condições necessárias para lidar com esse momento importante de suas vidas.

Notícias atrasadas

Quando eu criei esse blog tinha como objetivo postar pelo menos uma vez por dia, mas já furei esse objetivo ao não postar nada na segunda e ontem. Na segunda eu participei de uma atividade na escola onde dou aula. Essa atividade tinha como objetivo tratar sobre questões envolvendo sexualidade entre jovens, numa escola com alunos entrando na adolescência é muito importante tentar incutir neles desde medidas de prevenção até alertas sobre os perigos de uma vida sexual descuidada. A verdade é que os adolescentes estão expostos a uma grande quantidade de informação sobre sexo hoje em dia, o problema é como lidar com elas. Foram exibidos filmes e feitos debates, ou pelo menos se tentou. Hoje em dia é cada vez mais difícil conseguir manter a atenção dos jovens, temos que usar todos os recursos existentes para isso, além de livros, vídeos, internet e o que for possível. Ao participar dessa atividade eu percebi que ainda precisamos avançar muito se quisermos lidar com a questão de que os jovens de hoje lidam com a sexualidade cada vez mais cedo, que não dá simplesmente para falar sobre esse assunto com eles da mesma maneira como os jovens de gerações anteriores. A questão é tentar conciliar uma orientação condizente com a realidade atual sem cair num tipo de "liberalismo" que incentive uma visão vulgarizada da sexualidade. É preciso ter em mente não confundir uma vida sexualmente ativa com promíscuidade sexual, também é preciso deixar claro aos jovens que ações geram consequencias e que às vezes saber esperar não significa necessariamente um grande sacrifício. O grande problema é como discutir esses assunto com jovens estabelecendo um diálogo com eles, como falar com eles numa linguagem que entendam sem sacrificar a qualidade do diálogo. Esses são desafios que estão colocados para todos nós.

sábado, 19 de junho de 2010

Ensinar e aprender

Quando eu escolhi o nome do blog tinha em mente que a minha experiência como professor é também um aprendizado. Professor Educando, isto tanto significa os ensinamentos que pretendo passar aos alunos como também um aprendizado em minha vida. Vou ter que aprender muita coisa na escola onde dou aula, até para ser um bom professor. Na postagem anterior eu falei sobre as relações de respeito, disciplina e compromisso que pretendo estabelecer com as turmas com que vou trabalhar. Esse objetivo, entretanto, só poderá ser atingido na medida em que eu souber lidar com tudo isso de maneira a conciliar a autoridade que um professor precisa ter em sala com a capacidade de dialogar com os estudantes. Dialogar aliás é o maior desafio, principalmente com todas as notícias sobre conflitos ocorridos em sala de aula. Recentemente eu soube de várias reportagens sobre esses conflitos, professores que amarram e amordaçam alunos, professores que são agredidos em sala de aula por alunos. Todas essas notícias demonstram os desafios que tanto eu como os professores em geral precisam enfrentar, dialogar é necessário, mas aprender como fazê-lo é o desafio que se impõe a todos os profissionais do ensino. Outro grande desafio é como convencer os alunos das vantagens de uma parceria entre estes e os que tem por função oferecer-lhes o melhor ensino possível. Ensinar e aprender, é o desafio que está colocado para todos nós.