quarta-feira, 16 de junho de 2010
filosofia de trabalho
Quando eu entrei na universidade eu tinha um objetivo claro: estudar de dia e trabalhar à noite. Nessa época eu estava no seguro saúde, pois tinha sofrido um acidente de trabalho no final do ano anterior. Eu passei quase todo o meu primeiro semestre recebendo o dinheiro desse seguro e pude me manter no meu primeiro semestre de UFF sem me preocupar tanto com a questão financeira. Além das aulas eu pude frequentar a biblioteca, o laboratório de informática, participar de seminários, palestras e todo o tipo de evento acadêmico na universidade. Tudo isso e o envolvimento político que passei a ter quando entrei na CEF (Casa do Estudante Fluminense) me fez ver que se eu quisesse viver a universidade em sua plenitude teria que arrumar um jeito de me manter nela de uma maneira diferente do meu planejamento original. Tomar a decisão de mudar o meu objetivo inicial ao entrar na universidade não foi fácil, passei muitas dificuldades no segundo semestre, o fato de morar na CEF e o apoio que tive da minha família foram fundamentais para que eu pudesse levar adiante a idéia de não me comprometer com um trabalho em tempo integral e me manter na universidade da mesma maneira que no primeiro semestre. Eu só conseguiria uma bolsa de extensão no ano seguinte, duraria dois anos e depois tive mais dois anos de uma bolsa treinamento que me acompanhou até o final da universidade. Essa opção me permitiu fazer uma universidade de verdade, com uma qualidade que eu jamais conseguiria se tivesse feito um mero "curso noturno" que era o que eu acabaria fazendo se seguisse o objetivo inicial. Esse longo preâmbulo tem como objetivo explicar a opção que pretendo seguir como professor, pois não quero me alienar nesta profissão. A idéia de ter que ser obrigado a ter um monte de matrículas, dar aulas em colégios particulares e pré-vestibulares comerciais, passar a semana toda de manhã à noite dando aulas me parece simplesmente terrível. Eu imagino que muitos façam isto por falta mesmo de opção, pois não creio que alguém se sacrifique para concluir uma universidade para viver uma vida estressante como professor. Eu não sou casado e não tenho filhos para sustentar, isso me facilitou muito para fazer a universidade do jeito que eu queria, pois a minha família jamais me impôs qualquer ônus, pelo contrário, quando pôde me ajudou bastante, muitos professores não tem a mesma condição e eu pretendo aproveitá-la. Por enquanto eu tenho só uma matrícula no estado, justamente onde se paga pior aos professores de escola pública no Rio de Janeiro, certamente não é um salário que permita alguém sustentar decentemente uma família, mesmo para um cara sem maiores compromissos familiares como eu está longe de ser uma maravilha, mas não passa pela minha cabeça a idéia de ocupar a semana inteira dando aulas de manhã à noite, quero ter tempo para trabalhar com as turmas com um mínimo de qualidade, além de poder me dedicar a outras atividades. Sei lá se vou conseguir, mas a minha experiência na UFF me permite ter a expectativa de atingir o meu objetivo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário